Amor Incondicional : como eu o vejo

Só a palavra Amor já mexe com o que esperamos.

Não acredito no Amor Incondicional. Mas acredito em Deus, e ele sim, ele é Amor Incondicional.

À Humanidade não foi dado o Dom do Amor Incondicional, mas foi dado o Dom do Amor.

Não é possível existir Amor Incondicional, onde é possível sofrer.

Deus não sofre. Não há forma de fazer sofrer Deus. Não interessa o que lhe fazemos, dizemos, fazemos em nome dele, o negamos, o insultamos ou esquecemos, para ele não interessa, ele vai sempre amar-nos, o Amor dele é incondicional, porque ele é Amor, não precisamos de o classificar como “Incondicional”.

Mas a Humanidade sofre. Cada um de nós em cada momento pode estar feliz ou triste, e o que procuramos sempre é o bem-estar, o melhor possível.

E amamos… amamos muito, adoramos amar, adoramos ser amados, estamos sempre atentos por ele, porque sabemos que o Amor traz-nos bem-estar. Assim que reconhecemos o Amor como parte de nós, queremos amar até arrebentar… e só depois acalmamos o coração para amar pacientemente e com sabedoria, e entretanto, amar fez-nos sofrer… e então damos-lhe outro nome: paixão.

E separamos as coisas… paixão é fogo, risos altos, entusiasmo, beijos apertados, fogo-de-artifício. Amor é paz, tranquilidade, sorrir com segurança e andar de mão dada. A paixão tem mais adjetivos, mas o Amor não precisa deles. A paixão é diária, mas o Amor é eterno. A paixão cansa, mas o Amor enche. A fonte da paixão é o Amor, mas o Amor é a fonte dele mesmo. Por mais depressa que a paixão corra… o Amor ganha sempre. É esta magia e mistério que nos deslumbra.

Aprendemos, por experiência própria, que a paixão vai e vem, e o Amor também é assim. Descobrimos que fazemos coisas quando amamos, e que fazem coisas por nós quando nos amam, mas às vezes não, e isso não nos faz sentir bem. E então, nalgum ponto da nossa vida, chega até nós que existe o “Amor Incondicional”. É aquele amor que resiste sempre, é eterno, está ali para nos nutrir. É nosso.

Sentimos que o nosso Amor é Incondicional, e tudo está bem. Esquecemo-nos que não somos Deus. E que quem nós amamos também não, são pessoas.

Pessoas com vontade própria, sonhos, chamamentos, vícios, problemas e sombras.

E desejamos que o Amor que alguém tem por nós seja incondicional, porque não queremos perdê-lo, porque a simples ideia de alguém deixar de nos amar, faz-nos sofrer, não muito, mas suficiente para pôr pensamentos de dúvida no nosso coração. Mas não é.

E é então que no meio de tanto Amor… sofremos. E quem nos fez sofrer ? quem nós amamos.

E cai tudo, pomos a mão no peito para segurar o coração que não está lá… está despedaçado no chão… e mesmo assim, ainda amamos com todos bocadinhos.

E apontamos o dedo de acusação: “o teu amor não é incondicional!”. Pois não é, o nosso também não, mas isso nunca queremos admitir.

Quem diz que o amor não dói, nunca amou… ou – felizmente – nunca sofreu. O Amor dentro de nós é forte, e procura resistir. E resiste… e resiste, ele ali quer ficar, abraçado ao coração. O Amor não quer ir embora, e espera pacientemente que o sofrimento acabe, mas quando isso não acontece, só há uma coisa a fazer.

E o Amor… sábio, corajoso, humilde e eterno… abre os braços… liberta o coração… e vai-se embora.

Ali não quer estar, porque não quer fazer sofrer ninguém, se ele fosse incondicional, o sofrimento estaria sempre lá.